deve ter dado para perceber que eu me mudei!! o meu novo endereço:

http://nandiland.blogspot.com

 

eu, senhores, andei sobre o mar.

Duvidou, não foi? pois então, senta que vem história...
Na época eu tinha meus ingênuos 15 anos, achava que já tinha visto de tudo nesta vida. Até porque a tv a cabo taí pra isso! Embuída de um espírito aventureiro (mal sabia eu, quase suicida!) me meti nuns projetos de preservação ambiental que incluiam intercâmbios em outras paragens do país. Desta vez iriamos até às ilhas. E logo à mais histórica de todas elas. Bolama. E eu nunca tinha andado de barco.
Está certo que as recomendações maternas já tinham alertado. Os barcos em Guiné-Bissau nunca foram os meios de transporte mais confiáveis do mundo. Mas eu era jovem e não tinha noção do perigo. Na partida um prenuncio. O barco, repleto de gente, carros e suprimentos para uma semana de intercâmbio, parou a algumas milhas da costa. E, junto com ele, o rádio de comunicação. Que fique claro que nessa época, telefone celular era uma coisa que se via apenas, e com algum espanto (esses japoneses são loucos!) pela televisão. O alerta foi dado no grito e algumas horas depois lá veio um outro barco para o nosso resgate. Barco 2 rebocou barco 1 e seguimos todos retomando a baderna.
Algumas horas depois, já com os ânimos mais serenos e a barriga cheia com os lanches trazidos de casa, um estrondo e o barco pára. Na época ainda não tinham refilmado Titanic pelo que, não podendo aventar essa hipótese, continuei na conversa. De colete laranja vestido.
O capitão do barco deu as explicações. Tinhamos nos atrasado com a pane ainda perto de Bissau.( O mar, não se atrasa!) Estavamos encalhados nos bancos de areia já que a maré estava baixa demais para o barco passar. Teriamos que esperar a maré baixar e tornar a subir para seguir viagem. Porque que você não guardou ao menos um sanduiche, a minha barriga roncou em protesto!
Ninguém nos preparou para o que viria a seguir: o mar esvaziou. Totalmente. Completamente. E restou terra debaixo do barco. Pequenas lagoas tinham se formado em volta de nós e o mar, lá longe, longe.
E eu, desci e andei. Sobre o que tinha sido, e voltaria a ser daqui a algumas horas: mar.

Não possuindo ascendência judaico-kriptoniana não cheguei a caminhar sobre as águas. Mas que eu andei no meio do mar, isso eu andei!

Africanidades tambem tem a sua história sobre Bolama, e algumas fotos!
Ana acordou sem pestana. Se sentiu sacana. Na veia, um litro de cana. Uma fulana bacana lhe cedeu uma banana. Ih... vai dormir por uma semana!!
Não gostou? Abana!

Harry Potter e as torres gêmeas

No primeiro livro é nos dito que o mundo viveu um passado conturbado. Uma época onde eram cometidas atrocidades inenarráveis em nome do poder. Onde o terror era regido por Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, cujos seguidores eram reconhecidos por uma temida marca. Sucederam-se tempos de paz mas o mal voltava de vez em quando para lembrar a sua existência, arquitetava planos maléficos para dominar mais uma vez. A grande luta do bem contra o mal recomeçou com os representantes do "bem" tendo que enfrentar fraquezas humanas como orgulho, sede de poder. Ao mal se aliam os sugadores de toda a felicidade e só a esperança e a lembrança dos momentos felizes pode afastá-los. Mas no mundo do pequeno mágico existe uma esperança, um Escolhido para salvar o mundo.

A nós, meros muggles, coube-nos a luta contra o mal, os sugadores de toda a alegria, os representantes que representam outros interesses que não os nossos. Só não há nenhum escolhido em vista para salvar o mundo!

não é lindo?

enquanto isso, na sala de sutura:

criança revoltada, com corte na perna, sendo segurada na maca por 4 pessoas:

- S é pra costurar porque que a vó não fez?

ela tem agulha. Porque que ela não costurou na máquina?!

ambientes

parece fato incontestável mas nem sempre é claro: o mundo, o país, a cidade tem vários ambientes. hoje eu pude comprovar isso mais uma vez.

09h40 fazendo prova para plantão, emoções contraditórias, passo ou não passo? e se passar faço ou não faço;

11h00 assistindo palestra sobre zoonoses reemergentes...chaaaata!!! chaaataa, inútil;

12h36 almoçando na cantina da faculdade, comida ruim, companhia boa;

15h12 visitando famílias no morro da mangueira, na localidade conhecida como "buraco quente";

15h14 entrando em casa de família pobre, muito pobre. na rua cheiro intenso de maconha, no murro sujeito cheirando carreira de cocaína -it´s real and it´s life. dentro, uma mulher que sofre, um filho alcoolatra que dorme sob efeito de benzodiazepínicos. na próxima uma mãe que perdeu há mais ou menos 1 mês um filho com 33 anos. na outra, uma sorridente senhora de 99 anos "fugindo" de casa para conversar com a vizinha;

15h54 conhecendo a quadra da mangueira e o museu do samba, luxo, patrocínios importantes- mundos diferentes co-habitam a poucos passos;

17h08 fazendo compras em shopping da tijuca (roupa branca roules, infelizmente!).

19h20 assistindo novela e se tudo der certo 21h00: lendo Harry Potter!

mundo pequeno esse em que vivemos, é certo, mas cada vez mais cheio de paredes delimitando o direito a sonhos. e eu que tento circular com naturalidade nestas galáxias distantes continuo odiando paredes.

acabou... tá tudo acabado, as férias foram embora e as aulas tão aí, daqui a dois dias começa tudo de novo!

 snif, snif!

Estranho como o meu 'Eu' vai sendo sucessivamente passado e o futuro fugindo de mim. O presente é sempre passado. E o futuro é o presente que nunca chega. Mas, o meu tempo verbal sou eu! ser gerundio ou afirmativo só depende do meu querer. Só eu decido se me quero presente, futuro ou pretérito ou... porque não, conjuntivo?! E porque não, esquecer verbos, substantivos e adjetivos e voltar à primitiva forma. simplesmente SER!

espero por ti

Já nem durmo

para não sonhar

-receio o pesadelo de te perder

sem te ter tido sequer-

sinceramente, nem sei

se erro em chamar por ti

 

Já nem te chamo

nem peço para voltar

resta-me apenas a espera insana

-esta insensata esperança humana!-

por algo que não sei se terei

 

Já nem saio daqui

Já nem vivo sequer

existo somente

na esperança demente

de -qualquer dia- te ter

 

Já nem durmo

já nem te chamo

Já nem vivo sequer

e num canto qualquer

desta cidade

espero por ti: felicidade

(nandi, 1999)

o meu encontro com o Chico () Buarque

calma, não precisa ficar aí com essa cara perguntando o que a louca que vos fala quereria dizer com "um encontro" com o mais ilustre sexagenário brasileiro. um encontro é: encontrar na rua e trocar algumas palavras, provavelmente

eu: [na minha primeira (e, se o encontro for único, única) crise histérica]: "eu te amo, eu sou sua fã, eu te considero pra caramba, me dá um autógrafo, buuuááá, hoje é o dia mais feliz da minha vida....soluços...mais algumas lágrimas...sorriso abobalhado...",

ou então, através de um telefonema:

(ring, ring) eu: alô

ele: boa tarde (o cara é educado!), daqui é o Francisco

eu: oi Chiquinho, quanto tempo cara, e aí, ainda tá pegando a Fê?

ele: desculpe mas daqui é o Chico Buarque...

eu: pô cara, fala sério... só porque vc sabe que eu daria cama comida e roupa lavada pro Chico fica fazendo essas brincadeiras sem graça, imagina... o Chico!... com essa voz bizarra que vc tem!

ele (um sorriso, talvez?): daqui fala Chico Buarque e eu gostaria de encomendar uma pizza... é da pizzaria do Leblon, não é?

eu: pizzaria? Chico? ehh...ehhh...eu...hmmm.... é.... engano! (desligo o telefone)

ou quem sabe no lançamento do seu dvd (mais do que incluido nos meus "desejos de consumo"):

ele autografando milhares de dvd's há horas): qual o seu nome?

eu: é.... o-o-o me-me-meu no... no-no... o meu no-me é n-n-nandi... nandi

ele (levantando a porção distal da sobrancelha direita): diferente... com i ou com y?

eu: é não é, o meu pai que escolheu. é com i mas na verdade o original era com y. inclusive daria uma bela música e eu sempre quis ter uma música com o meu nome, ainda mais cantanda por você. eu sou sua fã! cara eu adoro o seu trabalho, o seu olho azul... eu já disse que eu sou sua fã? inclusive se voce quiser cantar uma música com o meu nome eu já até anotei umas idéias para te passar. (a fila começa a ficar impaciente mas chico continua sorrindo) tipo, nandi vai ser uma parada difícil de rimar com 'amor' e 'paixão avassaladora' mas qualquer coisa vc bota 'sandy', 'candy' ou outra coisa qualquer e fala que está em uma nova fase da sua carreira... pra quê esses seguranças? (sendo agarrada pelos seguranças e 'gentilmente' encaminhada para a saída) mas se vc achar ruim eu posso ser o personagem do seu próximo livro... eu sou sua fã! canta um pedaço de 'valsinha'?! (berrando já da calçada) se você estiver com preguiça eu mesma toco, só que vc tem que cantar mais devagar porque eu ainda tou aprendendo violão....

ai, ai... alguém aí me passa o telefone do Chico? tou com uma música aqui pra apresentar pra ele... 

 

o vôo

Desperto por fim deste sonho azul

que foste tu em tempos

Esvai-se finalmente a "paz sem chão"

e já só resta

a saudade do que senti um dia

Em mim, a alegria e a amargura

se disputam numa dança frenética

que tem minha alma

como único espectador e indeciso juiz

Amargura de te saber passado

Alegria de me saber de novo livre...

Sorrindo contemplo estas novas asas que ganhei

volto-me por momentos para o adeus final

e, calmamente, levanto vôo.

(nandi, 2003) 

 

 

me peguei pensando esses dias nessa dicotomia que só no Brasil é tão explícita. essa coisa de ter pessoas com dinheiro de um lado e pessoas desprovidas do vil metal convivendo em um mesmo espaço e mesmo assim habitando mundos tão distantes! de um lado o morro que, ao longe, é quase uma celebração natalina. do outro o progresso e a tecnologia que se quer cada vez mais arranhando céus. e, estranhamente, a favela se ilumina com energia sugada do asfalto, como se estivesse cobrando uma dívida. como se apesar de tantos pesares um ultimo grito persistisse e lá do alto a favela desejasse ser VISTA e não mais lembrada apenas quando as coisas no asfalto não saem como planejado.

circulando entre um mundo e outro, as pessoas. que partilham todas de um mesmo banco genetico, capacidades iguais à nascença de fabricar sonhos, todas com possibilidades semelhantes de produzir proteina, secretar hormonios, brandir ideais. são elas que fazem a ponte ou decidem se isolar em ilhas.

no rio de janeiro as autoridades públicas estão preocupadas em acabar com os furtos de energia, classicamente conhecidos como "gatos". e assim, ao apagar as luzes, o progresso avançará triunfante  e 12h por dia será capaz de ignorar essa mácula indesejável. mas a luz do dia sempre chega e ilumina por igual, o belo, o feio e o que muitos prefereriam esquecer. 

o tempo escasso me obriga às publicações não autorais mas os neuronios não me concedem esse sossego merecido (?!). De qualquer modo os textos que eu publico são apenas coisas que outro coração sentiu primeiro e que minhas pobres conexões neuronais não poderiam conceber com a mesma genial simplicidade.

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabafo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!

(Vinícius de Morais)

Feliz dia dos amigos ( e feliz aniversário p o Leozinho que não pôde escolher dia melhor para vir ao mundo!)




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