acabou... tá tudo acabado, as férias foram embora e as aulas tão aí, daqui a dois dias começa tudo de novo!
snif, snif!
Estranho como o meu 'Eu' vai sendo sucessivamente passado e o futuro fugindo de mim. O presente é sempre passado. E o futuro é o presente que nunca chega. Mas, o meu tempo verbal sou eu! ser gerundio ou afirmativo só depende do meu querer. Só eu decido se me quero presente, futuro ou pretérito ou... porque não, conjuntivo?! E porque não, esquecer verbos, substantivos e adjetivos e voltar à primitiva forma. simplesmente SER!
espero por ti
Já nem durmo
para não sonhar
-receio o pesadelo de te perder
sem te ter tido sequer-
sinceramente, nem sei
se erro em chamar por ti
Já nem te chamo
nem peço para voltar
resta-me apenas a espera insana
-esta insensata esperança humana!-
por algo que não sei se terei
Já nem saio daqui
Já nem vivo sequer
existo somente
na esperança demente
de -qualquer dia- te ter
Já nem durmo
já nem te chamo
Já nem vivo sequer
e num canto qualquer
desta cidade
espero por ti: felicidade
(nandi, 1999)
o meu encontro com o Chico (
) Buarque
calma, não precisa ficar aí com essa cara perguntando o que a louca que vos fala quereria dizer com "um encontro" com o mais ilustre sexagenário brasileiro. um encontro é: encontrar na rua e trocar algumas palavras, provavelmente
eu: [na minha primeira (e, se o encontro for único, única) crise histérica]: "eu te amo, eu sou sua fã, eu te considero pra caramba, me dá um autógrafo, buuuááá, hoje é o dia mais feliz da minha vida....soluços...mais algumas lágrimas...sorriso abobalhado...",
ou então, através de um telefonema:
(ring, ring) eu: alô
ele: boa tarde (o cara é educado!), daqui é o Francisco
eu: oi Chiquinho, quanto tempo cara, e aí, ainda tá pegando a Fê?
ele: desculpe mas daqui é o Chico Buarque...
eu: pô cara, fala sério... só porque vc sabe que eu daria cama comida e roupa lavada pro Chico fica fazendo essas brincadeiras sem graça, imagina... o Chico!... com essa voz bizarra que vc tem!
ele (um sorriso, talvez?): daqui fala Chico Buarque e eu gostaria de encomendar uma pizza... é da pizzaria do Leblon, não é?
eu: pizzaria? Chico? ehh...ehhh...eu...hmmm.... é.... engano! (desligo o telefone)
ou quem sabe no lançamento do seu dvd (mais do que incluido nos meus "desejos de consumo"):
ele autografando milhares de dvd's há horas): qual o seu nome?
eu: é.... o-o-o me-me-meu no... no-no... o meu no-me é n-n-nandi... nandi
ele (levantando a porção distal da sobrancelha direita): diferente... com i ou com y?
eu: é não é, o meu pai que escolheu. é com i mas na verdade o original era com y. inclusive daria uma bela música e eu sempre quis ter uma música com o meu nome, ainda mais cantanda por você. eu sou sua fã! cara eu adoro o seu trabalho, o seu olho azul... eu já disse que eu sou sua fã? inclusive se voce quiser cantar uma música com o meu nome eu já até anotei umas idéias para te passar. (a fila começa a ficar impaciente mas chico continua sorrindo) tipo, nandi vai ser uma parada difícil de rimar com 'amor' e 'paixão avassaladora' mas qualquer coisa vc bota 'sandy', 'candy' ou outra coisa qualquer e fala que está em uma nova fase da sua carreira... pra quê esses seguranças? (sendo agarrada pelos seguranças e 'gentilmente' encaminhada para a saída) mas se vc achar ruim eu posso ser o personagem do seu próximo livro... eu sou sua fã! canta um pedaço de 'valsinha'?! (berrando já da calçada) se você estiver com preguiça eu mesma toco, só que vc tem que cantar mais devagar porque eu ainda tou aprendendo violão....

ai, ai... alguém aí me passa o telefone do Chico? tou com uma música aqui pra apresentar pra ele...
o vôo
Desperto por fim deste sonho azul
que foste tu em tempos
Esvai-se finalmente a "paz sem chão"
e já só resta
a saudade do que senti um dia
Em mim, a alegria e a amargura
se disputam numa dança frenética
que tem minha alma
como único espectador e indeciso juiz
Amargura de te saber passado
Alegria de me saber de novo livre...
Sorrindo contemplo estas novas asas que ganhei
volto-me por momentos para o adeus final
e, calmamente, levanto vôo.
(nandi, 2003)
me peguei pensando esses dias nessa dicotomia que só no Brasil é tão explícita. essa coisa de ter pessoas com dinheiro de um lado e pessoas desprovidas do vil metal convivendo em um mesmo espaço e mesmo assim habitando mundos tão distantes! de um lado o morro que, ao longe, é quase uma celebração natalina. do outro o progresso e a tecnologia que se quer cada vez mais arranhando céus. e, estranhamente, a favela se ilumina com energia sugada do asfalto, como se estivesse cobrando uma dívida. como se apesar de tantos pesares um ultimo grito persistisse e lá do alto a favela desejasse ser VISTA e não mais lembrada apenas quando as coisas no asfalto não saem como planejado.
circulando entre um mundo e outro, as pessoas. que partilham todas de um mesmo banco genetico, capacidades iguais à nascença de fabricar sonhos, todas com possibilidades semelhantes de produzir proteina, secretar hormonios, brandir ideais. são elas que fazem a ponte ou decidem se isolar em ilhas.
no rio de janeiro as autoridades públicas estão preocupadas em acabar com os furtos de energia, classicamente conhecidos como "gatos". e assim, ao apagar as luzes, o progresso avançará triunfante e 12h por dia será capaz de ignorar essa mácula indesejável. mas a luz do dia sempre chega e ilumina por igual, o belo, o feio e o que muitos prefereriam esquecer.

o tempo escasso me obriga às publicações não autorais mas os neuronios não me concedem esse sossego merecido (?!). De qualquer modo os textos que eu publico são apenas coisas que outro coração sentiu primeiro e que minhas pobres conexões neuronais não poderiam conceber com a mesma genial simplicidade.
Amigos
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabafo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!
(Vinícius de Morais)
Feliz dia dos amigos ( e feliz aniversário p o Leozinho que não pôde escolher dia melhor para vir ao mundo!)
Sobre o 6° periodo
'Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.' Clarice Lispector
O mundo acaba de ganhar mais um milionário brasileiro e de quebra mais uma data para chamar de triste... Londres foi atacada por terroristas, morreram pessoas que nunca nem viram a cara de Blair ou de Bush, pessoas que iam trabalhar, garantir o sustento do capitalismo. Uma delas pelo menos devia estar rezando para a chegada do final de semana, levar as crianças ao parque, sair para jantar, cinema... outra estaria triste, desgostosa da vida desejando a morte e pode ter-se arrependido no minuto final. Pessoas como eu e você que hoje tiveram o azar de ser londrinos e de ter de ir para o trabalho de transporte público.
Mas nada disso importa agora, o Brasil acaba de ter um novo milionário, 52 milhões de reais, o que descontando os impostos deve dar mais ou menos uns 30 milhões... enfim, troco! Tou precisando de uns trocados urgente!!

Essas são as férias mais trabalhosas que eu já tive... quero férias das férias!!
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Meu Perfil BRASIL , Sudeste , Cidade Maravilhosa , triste às vezes, feliz quase sempre , Mulher , de 20 a 25 anos , Zulu , Livros , Arte e cultura , Medicina, violão MSN - |
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