Duvidou, não foi? pois então, senta que vem história...
Na época eu tinha meus ingênuos 15 anos, achava que já tinha visto de tudo nesta vida. Até porque a tv a cabo taí pra isso! Embuída de um espírito aventureiro (mal sabia eu, quase suicida!) me meti nuns projetos de preservação ambiental que incluiam intercâmbios em outras paragens do país. Desta vez iriamos até às ilhas. E logo à mais histórica de todas elas. Bolama. E eu nunca tinha andado de barco.
Está certo que as recomendações maternas já tinham alertado. Os barcos em Guiné-Bissau nunca foram os meios de transporte mais confiáveis do mundo. Mas eu era jovem e não tinha noção do perigo. Na partida um prenuncio. O barco, repleto de gente, carros e suprimentos para uma semana de intercâmbio, parou a algumas milhas da costa. E, junto com ele, o rádio de comunicação. Que fique claro que nessa época, telefone celular era uma coisa que se via apenas, e com algum espanto (esses japoneses são loucos!) pela televisão. O alerta foi dado no grito e algumas horas depois lá veio um outro barco para o nosso resgate. Barco 2 rebocou barco 1 e seguimos todos retomando a baderna.
Algumas horas depois, já com os ânimos mais serenos e a barriga cheia com os lanches trazidos de casa, um estrondo e o barco pára. Na época ainda não tinham refilmado Titanic pelo que, não podendo aventar essa hipótese, continuei na conversa. De colete laranja vestido.
O capitão do barco deu as explicações. Tinhamos nos atrasado com a pane ainda perto de Bissau.( O mar, não se atrasa!) Estavamos encalhados nos bancos de areia já que a maré estava baixa demais para o barco passar. Teriamos que esperar a maré baixar e tornar a subir para seguir viagem. Porque que você não guardou ao menos um sanduiche, a minha barriga roncou em protesto!
Ninguém nos preparou para o que viria a seguir: o mar esvaziou. Totalmente. Completamente. E restou terra debaixo do barco. Pequenas lagoas tinham se formado em volta de nós e o mar, lá longe, longe.
E eu, desci e andei. Sobre o que tinha sido, e voltaria a ser daqui a algumas horas: mar.
Não possuindo ascendência judaico-kriptoniana não cheguei a caminhar sobre as águas. Mas que eu andei no meio do mar, isso eu andei!
Africanidades tambem tem a sua história sobre Bolama, e algumas fotos!
Na época eu tinha meus ingênuos 15 anos, achava que já tinha visto de tudo nesta vida. Até porque a tv a cabo taí pra isso! Embuída de um espírito aventureiro (mal sabia eu, quase suicida!) me meti nuns projetos de preservação ambiental que incluiam intercâmbios em outras paragens do país. Desta vez iriamos até às ilhas. E logo à mais histórica de todas elas. Bolama. E eu nunca tinha andado de barco.
Está certo que as recomendações maternas já tinham alertado. Os barcos em Guiné-Bissau nunca foram os meios de transporte mais confiáveis do mundo. Mas eu era jovem e não tinha noção do perigo. Na partida um prenuncio. O barco, repleto de gente, carros e suprimentos para uma semana de intercâmbio, parou a algumas milhas da costa. E, junto com ele, o rádio de comunicação. Que fique claro que nessa época, telefone celular era uma coisa que se via apenas, e com algum espanto (esses japoneses são loucos!) pela televisão. O alerta foi dado no grito e algumas horas depois lá veio um outro barco para o nosso resgate. Barco 2 rebocou barco 1 e seguimos todos retomando a baderna.
Algumas horas depois, já com os ânimos mais serenos e a barriga cheia com os lanches trazidos de casa, um estrondo e o barco pára. Na época ainda não tinham refilmado Titanic pelo que, não podendo aventar essa hipótese, continuei na conversa. De colete laranja vestido.
O capitão do barco deu as explicações. Tinhamos nos atrasado com a pane ainda perto de Bissau.( O mar, não se atrasa!) Estavamos encalhados nos bancos de areia já que a maré estava baixa demais para o barco passar. Teriamos que esperar a maré baixar e tornar a subir para seguir viagem. Porque que você não guardou ao menos um sanduiche, a minha barriga roncou em protesto!
Ninguém nos preparou para o que viria a seguir: o mar esvaziou. Totalmente. Completamente. E restou terra debaixo do barco. Pequenas lagoas tinham se formado em volta de nós e o mar, lá longe, longe.
E eu, desci e andei. Sobre o que tinha sido, e voltaria a ser daqui a algumas horas: mar.
Não possuindo ascendência judaico-kriptoniana não cheguei a caminhar sobre as águas. Mas que eu andei no meio do mar, isso eu andei!
Africanidades tambem tem a sua história sobre Bolama, e algumas fotos!
Escrito por nandi às 09h03


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